In the summer the days are easy, don´t you realise that the trough, yes, the through is something like blue days with blue birds singing with some nostalgic tune, there are smoth issues, just can´t you remember the rapsody nor the waltz with the man you love or something like that. Ensaiava seu inglês pensando sobre o parapeito e segurando as grades daquela cela suja, com sua mão curta de dedos curtos, estava e pensava-se toda pesada e baça, era uma mulher corpulenta, estava olhando o recanto de parreiras que havia ali perto, ao alcance de seu golpe de vista, sim, sempre no través sentia-se toda remota do que se teria facilmente concebido como seu presente ou sua situação de condenada e de presa. Apoiando-se com sua face balofa contra as grades até que começavam a surgir marcas mais significativas advindas desse seu hábito dos últimos tempos de recordar-se sofrendo sua dor de estar ali vagueando com um idioma que não era o de sua pátria natal mas que fora seu um dia, já que quando em Nova Iorque esteve por alguns anos esquecia-se da impostura de agradecer com palavras e quedava a cabeça, lassa. Pois havia sido feliz, pensou, e havia sido bonita e a boniteza que chamava a atenção dos passantes do Central Park repleto de aléias e alamedas que escondiam seus segredos e rebiam olhares de contemplação lenta por serem exuberantemente verdes e, dir-se-ia, alvo de olhares falsamente alegres mas sequiosos de uma liberdade louca.
Parou sentada no leito e firmava os braços roliços sobreas pernas e colocou-se de súbito ávida de percepções rápidas, assim, como se quisesse ficar com o que se lhe ocorresse por representação, por percepções, por memórias de fatos longínquos e recentes e começou assim, com uma dor aguda, sentiu-se toda enferma do suor pingar por todo o seu corpo. Eu quero muito, sou a mesma e meus brilhantes, meus brilhantes e meus rubis, eu não roubei ninguém, foi assim, num dia de sol uma mulher estava no Passeio Público e seu cabelo era ruivo, o meu louro, mas não era isso, seu vestido vermelho, seu cabelo cortado à demi, seu pescoço longo de girafa e seus olhos profundos de coruja, era um escândalo ela usar também rubis nos anéis dos dedos finíssimos, ela não tinha homem algum, mulher não sei, ela não tinha nada a não ser aqueles berloques e eu toda cheia de ar e de perfume de gardênia e eu loura de cabelos cacheados e o calor, o calor, mas eu estava leve, eu era eu antes da ponte, a mulher estava do outro lado e me mirou de relance, deve ter visto sua pequenês de burguesa e minha grandesa de poetisa, de poetisa que não escreve, mas você não entenderia, eu parada e a observava ávida de esperança não por ter aquelas jóias, pois isso de esperânça por ter jóias situa-se na espera mais nobre, e eu não sou nobre e sim uma mulher. Ela queria roubar minha boniteza de atrair transeuntes do Centra Park no Passeio?, mas doida ela não era a esse ponto. Estou aquecendo minha possibilidade de comunicação para tentar ou ensaiar uma esperança de vida plena de liberdade.
Não comera o dia inteiro e a noite inteira e plantando a vista sobre cachos de uvas frescas e se refastelando com o gosto que deveria ser muito doce, ela que não agradecia com thank you dizia de si para si obrigada, mulher, vê se sonha mais você mesma sendo você comendo uma uva, assim como quando os nazistas invadiram Paris e passaram pelo Arco do Triunfo, não comera o dia inteiro e apercebia-se como uma besta esfaimada de vida e de vida de liberdade, note-se bem, vida de liberdade era o seu conceito mais repugnante. Respirava e respirava e acendeu um cigarro: a luz aparece quando dela não mais precisamos por sermos nós mesmos sem nós, em estado de pura leveza, em estado etéreo, ela estava num nirvana, era liberta, tinha a sua liberdade de mulher e estava na ante-sala do casarão, estava na ante-sala converando com uma mulher ruiva com cabelo à demi. Sentou-se pesada.
Quanto à mim, sir, sou sim sua criada, e o meneio de cabeça lasso deixava mostraar que ela era toda agradecimento, sou um pássaro de rapina, claro, desses que voam sobre oceanos e mares bravios à cata de caça e encontravam o que se lhes saciava a sede e a fome, pois então, eu sou uma águia e não uma coruja lenta, voou e houve sangue, e houve pancada surda, e houve um crânio com o occiput rachado, e depois elas são minhas pois eu sou elas, para que um cadáver se gabar com cabelos à demi de algo tão reluzente?, era polícia e gritos, louca, assassina, arrebenta, e o julgamento e ela mastigando balas e toda sua realeza e após o Manicômio Judiciário, claro que eu me livro disso, eu sou detentora do conceito de liberdade, eu estou presa de alcunha, eu sou livre como uma libéula, mas tenho que recuperar minhas jóias, qual Rainha digna não se cobre de jóias, estou assim, sabe.
Não disse antes porque não deveria ou não me ocorreu: quando ela provou da uva da parreira sentiu-se toda ela, sentiu-se não mais loura mas ruiva. Correu, correu, correu, passou pelo Passeio Público, passou pela Praia de Botafogo, foi para sua casa no São João Baptista. ¨Fascínora morre inexplicavelmente quando matou e, com maneirismos bizarros tentava alçar vôo e, com um passar de mãos incessantes pelos dedos e pelo pescoço cai pesada num terreno baldio em Jacarepaguá. O relato de três testemunhas surpreendeu ao dizerem peremptoriamente ter visto uma dama solene caminhando plácida, após esse episódio obscuro, com o cabelo cortado à demi, ruiva e com majestade, como que alheia a isso.¨ Disseram por ai que a mulher ¨louca¨ era ruiva também e seu cabelo era cortado à demi.
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